Mais um ano em que o resumo sobre
os zines / edição Do It Yourself é analisado de uma forma (demasiada)
esquemática, não por preguiça mas por pragmatismo dada às muitas variáveis
deste tipo de edição
Nesta fragmentação que nos
acompanha desde 2002 não tem havido novidades até este ano surgirem uma série
de novas publicações que podem ser colocadas num saco X e que obrigam a uma
observação mais critica (parte X) da minha parte.
Assim sendo, por tópicos o que
2005 pariu:
I. Keep on truckin’:
Os zines Porca Frita, Aqui no
Canto, Na verdade tenho 60 anos e Gatafunho continuaram a sair.
Foi mais um ano de feiras de
zines e edições independentes em sítios tão diversificados como nos Jardins do
Estoril e na Caixa Económica Operária (Lisboa) ou em eventos como Cidade
Desconhecida (Viseu), Salão Lisboa 2005, BejAlternativa, Feira Laica II (na
Bedeteca de Lisboa), Zurzir o Gigante (Lisboa), Festival de BD do Pinhal Novo e
Encontro de BD de Sto. Tirso ou no festival Superstereo Demonstration (
O zine suíço Milk & Wodka continuou com a sua quota de participação anual de autores portugueses.
Dos independentes até foi um ano
com algumas novidades: a MMMNNNRRRG editou o Malus do britânico Christopher
Webster, a Associação Chili Com
II. Zombies:
Regressou a Feira de Fanzines de
Almada, após 4 (longos) anos de interregno, com uma programação simpática mas
esqueceram-se que os zines “já não existem” (em quantidade e no tradicional
formato de fotocópia) e não souberam gerir esse problema da melhor forma.
Esperemos que ainda haja uma edição em 2007 e não em 2009.
A revista Satélite
Internacional demorou um ano a deitar cá para fora o número duplo 4/5
(especial "Sputnik" e sem imagens). Só publicou – e compensou o desafio - textos sobre bd escritos pelos alguns dos
melhores críticos nacionais e internacionais. Um documento único em
A Lx Comics voltou com um
número, depois da contabilização negativa de 2004. Relembro, que esta situação
– a ausência de publicação em 2004 – foi devido à falta de propostas e não
devido a questões orçamentais. Um novo número já está a ser preparado para
2006. Espero que estejamos numa situação de recuperação da colecção!
III. Reload
Uma emergente corrente de autores
de bd, ilustradores e críticos tem criado os seus sítios na Internet, sobretudo
na forma de blogues:
Também houve uma participação
portuguesa tímida no site www.40075km-comics.net – organizado pelo colectivo
belga L’Employé du Moi.
IV. Fim de ciclo?
V. Back to the future
O workshop do colectivo francês
Le Dernier Cri promovido pelo Salão Lisboa 2005 trouxe dois frutos: por um
lado, o resultado prático do workshop que foi a saída de 50 exemplares do
graphzine Tome Celo com os trabalhos dos participantes; por outro, a aplicação
desses moldes experimentados por
VI. Falsos novos
Novidades de zines não houve – e
se houve nada que chamasse a atenção – mas na prática houve novos títulos
vindos de autores/ editores já conhecidos, que continuaram a produzir ora com
novos conceitos ora metamorfoseando os títulos das suas publicações. O
divulgador mais activo de sempre, Geraldes Lino, apanhou uma série de autores
para o seu novo Jazzbanda (dedicado ao Jazz) e para o Nemo no Século XXI (para homenagear o Little Nemo in Slumberland). Joana Figueiredo fez o The
Last Hurrah (incluindo trabalhos de Rafael Gouveia, Pitchu, José Feitor,
Destaque, pela qualidade,
experimentação e regularidade dos zines de
VII. Easy come, easy go
Do underground para o mainstream,
só houve o
A edição ilustrada do
Geraldes Lino tem também
conseguido mobilizar autores para serem publicados no jornal Mundo
Universitário, tendo já passado por lá o
VIII. Work
A inaugurada Bedeteca de Beja
elaborou uma exposição dedicada aos “10 anos do
Houve worshops em Cascais (de
zines) e em
XIX. DIY
Zurzir o Gigante foi um evento
organizado por um grupo informal de artistas gráficos com o objectivo de
proporcionar a compra de originais de ilustração ao mesmo tempo que criaram um
espaço agradável de convívio e troca de experiências artísticas durante três
dias de Dezembro. Esta iniciativa insere-se numa lógica que pretende a
proximidade entre o público e os artistas, e a possibilidade da aquisição de
obras de arte a preços acessíveis, desafiando assim a filosofia das galerias de
arte, através da realização de eventos organizados e promovidos pelos próprios
artistas, sem intermediários. A experiência filia-se em outras já ensaiadas e
plenamente conseguidas,
Apesar do texto acima ser um
excerto adaptado da nota de imprensa da organização, serve para relembrar que
(pelo menos no
X. Novos Rituais de Passagem
A bd portuguesa de 2005 tem uma
nova característica curiosa em relação ao seu passado, nomeadamente foi um ano
de proliferação de projectos editorais que apoiam a produção amadora. Da
Faculdade de Belas Artes da Universidade de Lisboa (FBAUL) nasceu um Núcleo de
BD que editou já dois números da revista Blazt (o número zero intitulava-se Blastmagazine), a Bedeteca de Beja lançou a revista Venham +
A chatice destas edições é que
todas elas são cheias de boas intenções mas falham naquilo que se pretende: bd
nova, bd feita por autores que tenham coisas para dizer, bd que se tenha prazer
de ler - ou um incómodo pela novidade criativa. A maior parte – senão todos –
dos autores não conseguem criar discursos próprios para podermos destacar um –
talvez haja um, o
Gosto de pensar que isto é o
início de algo que irá amadurecer no futuro mas se acrescentarmos o facto que
publicam na alçada de instituições – a AJ-COI é uma associação que depende da
iniciativa privada do seu grupo fundador uma vez que não está inserido numa
câmara municipal ou numa escola – parece que estamos no pior paternalismo que é
tão típico
A desilusão que sinto neste
desperdício de meios não me leva a declarar que estes projectos não devem
existir ou que não mereçam apoio, o que me incomoda é a falta de consciência
dos seus intervenientes que parecem necessitar preencher os egos invés de quererem
criar um trajecto artístico – eles dirão que não, claro – e pior, o que dá a
entender é que a “iniciativa privada” está morta, não é possível concretizá-la
ou ninguém quer concretizá-la ignorando o sucesso que venha a ter ou não.
Parece o que aconteceu nos anos 90 já não existe, relembro, que foi a
iniciativa privada dos autores que construíram as suas carreiras (ou se
preferirem experiências) talvez porque esses autores tinham algo para dizer de
tão urgente que tiveram de ir em frente de qualquer forma fosse com zines
fotocopiados, fosse com pequenas editoras, etc… Talvez por ter vivido esses
momentos que agora pareço um reaccionário mas desta mão cheia de edições não
houve uma única vez que tenha sentido algo na sua leitura. Serei eu?
Como projectos editoriais parece
que estamos perante um limbo ou uma “terra de ninguém” porque não sendo eles
mediáticos (foram ignorados na essência seja pela imprensa generalista quer
pela especializada) e nunca ultrapassando a baixa tiragem de 500 exemplares
parecem que se inserem nesta secção de “zines e edição independente” mas acho
que eles não tem o pathos do DIY. Não tem a selvajaria da criação. De todos, o
mais genuíno (e para mim logo o mais interessante) parece-me que será o
Sketchbook pela forma
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