Talvez já tenha mostrado o optimismo no blogue da Chili Com
Com a decadência das grandes estruturas comerciais e institucionais são os “pequenos” que suportam e criam novas estruturas. Este ano faço questão até de fazer uma listagem em vertical para mostrar a força da coisa.
Lista a) Começamos pelo básico! Continuaram a editar:
- Reject’zine (de
- Opuntia Books
- Imprensa Canalha
- Gambuzine
- MMMNNNRRRG
- Associação Chili Com Carne
- El Pep
- Zona BD
- Le Sketch
- Plana
Press
- Boletim CPBD
- Kingpin Books
- É Fartar Vilanagem! (de Alexandre Esgaio)
- autora Jucifer (Techno Allah)
- Pedranocharco
- Venham +5
- Filme da minha vida
- autor Rudolfo (vários títulos)
- Tertúlia BD’zine
- Cleópatra (De Tiago Baptista)
- Znok (de Filipe Duarte)
Lista b) Regressaram:
- Polvo
- Kzine
Lista c) Agora sim, o importante (já explico). Apareceram novos projectos:
- Yoshi, o puto dragão (edição de autor e reedição profissional pela Raging Planet)
- Apupópapa
- Soft Porn
Coloring Book
- B74
- Thou the Latrina spoken
- Sou daquelas (de Sílvia Rodrigues)
- Fígado da República (de José Smith)
- dois zines de David Campos
- dois zines de João Ortega
- Intro Espectro (de Tiago Araújo)
A Lista a) mostra uma continuidade de trabalho que insinua
uma “profissionalização” dos projectos como é o caso da MMMNNNRRRG, El Pep,
Zona BD,
No meio da lista a biblio-biodiversidade domina em objectos
e objectivos: do carácter mais coleccionista do Boletim CPBD ao lúdico Le
Sketch, do fetichismo dos Opuntias Books à necessidade de exteriorização
artística de
Duas notas para a lista b) a
Como repararam a Lista c) além de aplicar novidades em termos de conteúdo também mostra pujança em quantidade, isto se comparamos em relação com os últimos anos – a queixa mais bem registada está no Dossiê de 2007.
Durante os últimos anos, os zines em papel desapareceram
gradualmente – ou melhor perderam a força ou foram substituídos pela febre
“graphzine”. Em 2010 num “zeitgeist” qualquer apareceram não só novos títulos e
novos autores, em que modéstia à parte, deve-se juntar o esforço da antologia Destruição (Chili Com
Talvez até tenha acontecido isso mas estão aqui as novas raízes que esperamos ver florescer em 2011 e para a frente. Quem sabe talvez do panorama desolador dos últimos anos venha a dar frutos como aconteceu há 20 anos atrás quando só havia Meribérica-Liber, Jim Del Monaco e o Clube Português de BD.
Internacional:
+ do mesmo, isto é a Aldeia Global já é uma Cidade em que
não estranha os estrangeiros que entram nos seus terrenos… Miguel
Mais autores estrangeiros das veias alternativas que visitaram Portugal: o esloveno Jakob Klemencic no Festival de BD de Beja com o projecto europeu Greetings from Cartoonia, o croata Igor Hofbauer para duas exposições de sucesso em Lisboa e Beja, o texano Nevada Hill para a Feira Laica de Verão, e o sueco Mattias Elftorp, o francês Albert Foolmoon e o espanhol Martin Lopez Lam na Feira Laica de Natal. E claro, ainda tivemos um ícone da bd alternativa, a Dame Darcy que passou por Beja e por várias datas nortenhas.
“Profissional”
Apareceram duas novas associações, a Oficina do Cego dedicada à arte de bem imprimir – tendo já lançado dois números do jornal homónimo – e a Tentáculo que se dedica à publicação da antologia Zona BD. São obviamente associações sem fins lucrativos mas que dão um cunho mais profissional e de continuidade a projectos de edição. São mesmo bem-vindas!
A MMMNNNRRRG comemorou 10 anos, uma longevidade a respeitar
para o tipo de material que edita e pelo ódio que lhe é alvo pelos agentes da
“cena”. Talvez por isso tenha ido para o Porto lançar o Pénis Assassino,
trabalho
A Chili Com
Exposições
Em compensação, apesar da filosofia “easy come, easy go” que
afecta as galerias / lojas / espaços lisboetas, as exposições O Último
Fósforo (colectiva internacional vinda da Estónia), Mike Diana (recriação da
exposição de 2008) e Igor Hofbauer (cartazes) na Artside estiveram cheias. A
galeria de artes urbanas já fechou entretanto… Ao contrário das galerias
portuenses Dama Aflita (ilustração) e
Extras
Na falta de espaços para divulgação da edição independente,
a Associação Chili com
Nem tudo o que vem da ‘net é mau – pelo menos ao que diz respeito à bd – como se provou este ano quando Simples Alquimia entrou em linha em http://spiraltap.net/simplesalquimia, aplicando as teorias que apresentou em Reinventing Comics (2000) sobre a expansão da forma narrativa da bd pelo espaço infinito das páginas Web. Demorou 10 anos até alguém fazer a coisa com o deve ser. Parabéns ao Diogo Barros.
É caso para escrever com orgulho e expectativa o clássico “(continua…)”.