segunda-feira, 29 de maio de 2006

sobre Max in Splaft! (Bedeteca de Beja; 2006)

Max, pseudónimo de Francesc Capdevila (Barcelona, 1956) é um dos autores de bd espanhóis (catalão! catalão!) com uma carreira irregular - não pela qualidade mas pela quantidade – e que se confunde com a história moderna da bd espanhola: da "la movida" dos zines (El Rollo Enmascarado) nos anos 70 à criação da mítica revista El Vibora, das tentativas de conquista do mercado tecnocrata franco-belga nos anos 80 (El carnaval de los ciervos de 1984) até às excitantes alternativas dos anos 90 com a revista Nosotros Somos Los Muertos (1995-2007) co-editada com o seu amigo Pere Joan e ainda com o livro El prolongado Sueño del Sr.T (1998). Não será à toa que é dos poucos autores de bd no mundo que tem uma colecção dedicada a toda sua produção (Todo Max pela La Cúpula). Recentemente foi alvo de mais edições retrospectivas, uma dedicada ao trabalho de ilustração, o monstruoso Espiasueños (La Cúpula; 2003) e outra, Bardín, el surrealista (La Cúpula; 2006), que reúne as desventuras meta-parabólicas de Bardín, personagem a que se têm dedicado nos últimos anos.

Em tempos de pouco espiritualidade ou de uma espiritualidade deturpada dos livros bestsellers (Paulo Coelhos, Códigos Da Vinci's e outras parvoíces), Bardín (a série não o personagem) é o antídoto à barbárie intelectual desta Nova Era das Trevas em que vivemos. Max não perde tempo para gozar com as conspirações à pressão, o Orientalismo de meia-tigela e o Surrealismo para o povão – “Relógios moles, montanhas de queijo! Ha ha ha ha!!” ri-se o "Cão Andaluz" do talento que roubou a Dali, enquanto oferece a Bardín (personagem) poderes iluministas. Mas Bardin, filho do materialismo ocidental freudiano mais comum continuará a ser um pobre diabo no jogo ilusório da vida. Se o mundo não fosse feito de camadas de mentiras quer Peter Pank (série de 1985 a 1990 que era uma paródia mucho hardcore desmistificadora da juventude eterna) quer Bardin não teriam sido criados por Max – nem faria sentido a sua participação no livro colectivo Lanza en Astillero (Castilla-La Mancha; 2005) para comemorar o IV Centenário do alucinado “Dom Quixote de la Mancha”. Com Bardin, creio que Max recuperou a sua joie de vivre depois de um período negativo desiludido com a bd – eu diria mesmo que agora se encontra num perfeito equilíbrio Yin / Yang ou com os Chakras (é assim que se escreve?) nos sítios certos mas do que sei eu realmente disso?

Relembro que algumas das histórias de Bardín foram lidas na revista Quadrado da Bedeteca de Lisboa, aliás, esta é a única publicação em que poderemos encontrar trabalhos de Max em português, apesar das várias passagens do autor nos nossos principais festivais de bd - Porto, Amadora, Lisboa e agora, Beja. Minto, também poderão encontrar um ou dois livros ilustrados para a infância mas se não mentisse também vos impressionaria menos.


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