Max, pseudónimo de Francesc
Capdevila (Barcelona, 1956) é um
dos autores de bd espanhóis (catalão! catalão!) com uma carreira irregular -
não pela qualidade mas pela quantidade – e que se confunde com a história
moderna da bd espanhola: da "la movida" dos zines (El Rollo Enmascarado) nos
anos 70 à criação da mítica revista El Vibora, das tentativas de
conquista do mercado tecnocrata franco-belga nos anos 80 (El
carnaval de los ciervos de 1984) até às excitantes alternativas
dos anos 90 com a revista Nosotros
Somos Los Muertos (1995-2007) co-editada com o seu amigo Pere Joan
e ainda com o livro El prolongado Sueño
del Sr.T (1998). Não será à toa que é dos poucos autores de bd no mundo que
tem uma colecção dedicada a toda sua produção (Todo Max pela La Cúpula). Recentemente foi alvo
de mais edições retrospectivas, uma dedicada ao trabalho de ilustração, o
monstruoso Espiasueños (La Cúpula; 2003) e outra, Bardín,
el surrealista (La Cúpula; 2006), que reúne as desventuras meta-parabólicas
de Bardín, personagem a que se têm dedicado nos últimos anos.
Em tempos de pouco
espiritualidade ou de uma espiritualidade deturpada dos livros bestsellers (Paulo Coelhos, Códigos Da Vinci's e outras
parvoíces), Bardín (a série não o personagem) é o antídoto à barbárie
intelectual desta Nova Era das Trevas em que vivemos. Max não perde tempo para
gozar com as conspirações à pressão, o Orientalismo de meia-tigela e o
Surrealismo para o povão – “Relógios moles, montanhas de queijo! Ha ha ha ha!!”
ri-se o "Cão Andaluz" do
talento que roubou a Dali, enquanto oferece a Bardín (personagem) poderes
iluministas. Mas Bardin, filho do materialismo ocidental freudiano mais comum continuará
a ser um pobre diabo no jogo ilusório da vida. Se o mundo não fosse feito de camadas
de mentiras quer Peter Pank (série de 1985 a 1990 que era uma paródia mucho hardcore desmistificadora da
juventude eterna) quer Bardin não teriam sido criados por Max – nem faria
sentido a sua participação no livro colectivo Lanza en Astillero (Castilla-La
Mancha; 2005) para comemorar o IV Centenário do alucinado “Dom
Quixote de la Mancha”.
Com Bardin, creio que Max recuperou a sua joie
de vivre depois de um período negativo desiludido
com a bd – eu diria mesmo que agora se encontra num perfeito equilíbrio Yin /
Yang ou com os Chakras (é assim que se escreve?) nos sítios certos mas do que
sei eu realmente disso?
Relembro que algumas das histórias
de Bardín foram lidas na revista Quadrado
da Bedeteca de
Lisboa, aliás, esta é a única publicação em que poderemos encontrar
trabalhos de Max em português, apesar das várias passagens do autor nos nossos principais
festivais de bd - Porto, Amadora, Lisboa e agora, Beja. Minto, também poderão
encontrar um ou dois livros ilustrados para a infância mas se não mentisse
também vos impressionaria menos.