Tiago Baptista nasceu em 1986, perto de Leiria. Licenciou-se em 2008 em Artes Plásticas na ESAD nas Caldas da Rainha onde começou a publicar fanzines em 2005. A sua expressão artística é repartida pelo trabalho de pintura e desenho - Prémio de Pintura da Fidelidade Mundial 2009 e Prémio Amadeu de Souza Cardoso 2015 – como também pela BD que apesar da precaridade económica deste meio nunca a abandonou tendo já publicado dois livros a solo: Fábricas, baldios, fé e pedras tiradas à lama (Oficina do Cego + a9))); 2012) e Stalker (Ao Norte; 2015).
Desde já, gostaria de realçar os seus artigos escritos sobre
o artwork das bandas Crass, Swans e
Laibach, publicados em vários números do fanzine Preto no branco em que prova
que ainda se pode escrever algo de interessante sobre estas bandas “clássicas”
e melhor ainda, que ainda vale a pena ler em papel artigos sobre elas nesta Era
Em Que Tudo Se Encontra na ‘Net. É importante referir isto porque há a
tendência para se dizer que um bom autor de BD pode ser um mau escritor e/ou um
mau desenhador. Baptista é mais um caso em que se mostra que nada disso é
verdade, só na BD é que se poderia ter um discurso tão miserabilista como este.
Quando os autores de BD são bons é porque são tão bons escritores como
gráficos. No caso do Tiago, os resultados são surpreendentes tal é a sua verve
literária como o seu imaginário.
O seu percurso artístico e universo autoral de BD está bem
documentado em entrevistas de rádio em linha (stress.fm), em vídeo (no sítio da
Associação Ao Norte) e escrita no Maga (Clube do Inferno + Chili Com Carne
+ Thisco; 2015). A exposição neste festival apanha várias obras recentes do autor,
entre elas as suas memórias numa residência artística em Berlim no ano de 2013
que saíram como episódios independentes na antologia Zona de Desconforto
(Chili Com Carne; 2014) e dois números do Preto no Branco (Nov’14/Jan’16), bem
como outras paisagens, algumas mais coloridas que outras, deste flâneur rural – eu sei, é uma
contradição - como a última BD do Fábricas,
baldios (…) e a BD na revista Gerador
(Abr’15). Nestas últimas, revelou o bucolismo possível de Queluz, onde ele habita.
São duas peças que merecem serem imortalizadas numa cápsula do tempo para
representar Portugal no Novo Milénio.
Para além da sua actividade artística, Tiago complementa-se como
editor tendo fundado em 2006 a Façam
Fanzines e Cuspam Martelos, um guarda-chuva editorial para vários zines individuais
seus como de outros autores. Conheceu este tipo de publicações nas Caldas da
Rainha que era um enorme centro desta actividade edito-lúdica. Ao contrário dos
seus colegas que se satisfaziam com o onanismo soalheiro da publicação sem
consequências Tiago soube realmente entender esta rica cultura: mesmo que muito pouca gente ou ninguém leia
fanzines, eles existem para o mundo, são o legado da nossa existência, são a
projecção dos nossos sonhos, ansiedades, preocupações, objecções e sentimentos.
Os fanzines, punhado de folhas agrafadas, tal como outras formas de criação
artística são como uma espécie de imortalização do espírito (in fanzinesemartelos.blogspot.com).
Ao validar este modelo de edição com seriedade, Tiago não
dorme na praia e é capaz de projectar situações militantes como participar
nessa babilónia mais babilónia conhecida por Feira das Almas. Neste evento de
“life style” de corpos voluptuosos de top, calção e pernoca sexy, lá estava ele numa mesa intitulada
Solidariedade
Fanzinista. Só por isso merece um prémio Geraldes Lino!