segunda-feira, 31 de dezembro de 2001

Relatório Fanzines BD Portuguesa de 2001 in Contador-mor # (Bedeteca de Lisboa; 2001)

Este ano, a área dos fanzines concretizou-se em mais uma mão cheia de propostas cheias de energia e inovação, mesmo quando se pode apontar para algumas das tendências registadas em 2000.

As tendências... a) Namoros com a tecnologia: mais um fanzine em CD-ROM (pelo colectivo Extractus), mais páginas web: Bizarro, A Língua, Os Positivos e Zundap, e o grande vencedor, Gritante. Um livrinho com uma bd muda acompanhado por um CD que tem a sua banda sonora mas também video-clip, música electrónica e a bd transformada em animação, teve uma instalação no Salão Lisboa, é preciso dizer mais? b) A periodicidade: para A Língua, Durty Cat (estreia da Ana Ribeiro) e Gambuzine é trimestral, para o experimental Succedâneo é uma corrida de dois em dois meses sem perder a qualidade e a loucura... veio à Bedeteca lançar um número e fez 5 anos de vida, parabéns! c) Os autores pescados para os formatos profissionais: Esgar Acelerado para o Blitz, Francisco Vidal e Pepedelrey para a colecção LX Comics.

Quanto a circulação de títulos: o Carneiro Mal Morto voltou, lançaram-se o Ex-Man (fanzine de ilustração por Miguel Carneiro), o Na verdade tenho 60 anos (de Joana Figueiredo) e o Zundap (de cultura Pop mas que muito destaca a bd e ilustração nas suas páginas), continuaram o Bactéria, o Bizarro, o Sub e o The Killer Season Fanzaíne, o autor Janus voltou com Amaldiçoado. Pelo meio fica o catálogo de fanzines organizado pelo Gambuzine que pouca funcionalidade tem devido à irreverênciazinha e às gralhas informativas. Pena. Fica para a próxima.

As novas foram os MEGAprojectos (abusadores do conceito?): no Salão Lisboa saiu um número especial do prozine Mondo Bizarre com bd’s de meia-dúzia de autores a abordarem vários géneros de música popular; O Independente tentou uma revista com espirito fanzine (sentiram alguma contradição aqui?), a Cindy seria um misto de DN Jovem e Bíblia dizia-se mas ficou pelo número zero (tal qual a saudosa revista Ai-Ai), a crise económica não perdoo; e, a Associação Chili Com Carne em coordenação com a Frente Fanzinista Internacional (a mesma do Zalão de Danda Besenhada) editou o livro (um MEGAfanzine!) Mutate & Survive de 200 páginas com 77 autores de 16 países diferentes. Neste último projecto, para além do tratamento de luxo aos fanzinistas participantes espera-se que se quebre o gelo dos tímidos portugueses com o resto do mundo.

E neste campo, há novidades, encontrámos vários portugueses em fanzines estrangeiros: Bouche du Monde (França), Milk & Wodka (Suiça), Stereoscomic Special SPX (França) e Stripburger (Eslovénia).